In-Breeding e Line Breeding

publicado em "Budgie News", janeiro de 1990

Autor: Kelwyn Kakoschke

Publicação: 08-12-2017

O termo criação interna ou familiar foi atribuído em 1946 pelo Dr. Duncker para o aparecimento de espécimes relacionadas. Esta prática e o seu nome causaram um alvoroço e foi condenada pela igreja. Os criadores ingleses chamaram a este tipo de reprodução "amigo íntimo" ou "rebanho fechado". Isso significa exatamente o mesmo, mas a terminologia não recebeu a mesma crítica. Eventualmente, o termo criação em linha entrou em uso, algo entre os dois termos em uso, mas, em essência, os três termos, criação interna (in-breeding), reprodução em rebanho fechado e linha de criação (line breeding) significam o mesmo, o conjunto de acasalamentos de espécimes relacionados.

O interessante tema in-breeding, condenado por alguns e elogiado por outros, é quase uma forma de arte. O que ele permite que você faça é adicionar e retirar de qualquer espécime (se você for muito hábil) pontos que deseja produzir nas futuras gerações, de modo que você esteja praticamente moldando e criando seu resultado final à sua medida.

Quando se usa o cross-breed, e esta é a alternativa, você coloca dois pássaros não relacionados e, como com um oleiro, simplesmente usando dois pedaços de argila juntos e esperando alcançar uma forma agradável, as chances de obter o resultado desejado são uma num milhão.

A única maneira de controlar as coisas é por alguma forma com o in-breeding. Uma grande quantidade de trabalho e habilidade deve ser colocados e mantidos, se o resultado certo for alcançado. É aí que muitas pessoas caem. Se você está a usar o in-breeding, deve acompanhar o trabalho deve ter um registo muito completo das criações na pesquisa de resultados. Quando se quer reproduzir para um traço particular, você precisa ter certeza de que os traços ocultos na família não são susceptíveis de anular o que deseja estabelecer, tais como, uma baixa taxa de natalidade, infertilidade, defeitos físicos ou simplesmente uma falha visual que você deseje eliminar. Todos esses fatores devem ser anotados nos registros e considerados antes do acasalamento.

Cada periquito tem 29 pares de cromossomas. Nestes cromossomas, os chamados loci, são a posição dos genes. Imaginando cada cromossoma como uma longa corda, em locais ao dela, daí a palavra loci, existem conjuntos de genes agrupados que regem todas as características do pássaro, a sua capacidade de aprender, a estrutura, a cor, as penas, etc. Este pássaro em particular terá sempre, e há muitos, muitos desses grupos que vão juntos definir um espécime em particular. O que faz o in-breeding é reduzir o número de diferentes genes disponíveis em cada um desses loci, de modo que haja menos opções quando as aves relacionadas são acasaladas e uma maior percentagem de crias com o mesmo aspeto, enquanto com o cross-breeding, o número de genes diferentes disponíveis em cada um desses loci, permanece constante, uma vez não há duplicação de genes como acontece com aves relacionadas.

É aí que entra a habilidade, reproduzindo jovens que favorecem, digamos, um pássaro superior. Tendo acasalado o macho e tendo tido algumas descendentes fêmeas, consideraria-se acasalar o macho com a sua filha no ano seguinte, uma vez que essa fêmea possui metade dos genes do pai e metade dos genes da mãe. Se escolher a fêmea errada, ela pode estar a tramsportar conjuntos de genes muito fortes da sua mãe, e quando acasalados com o pai, se esses genes são mais fortes, você acabará com pássaros semelhantes à primeira fêmea, sendo apenas portadores dos genes do pai e o mesmo número de genes da mãe, então obtêm-se as desvantagens em relação ao in-breeding e não se chegou mais perto do objetivo final. Se for escolhida novamente a filha errada e cometer o mesmo erro, você poderia ir de geração em geração e obter resultados piores. Assim, a habilidade consiste em conhecer o pássaro correto a usar.

Este é um exemplo clássico sobre a criação de ratos. Um par de ratos não relacionados foi acasalado e permitido crescer até a maturidade. Então os dois maiores jovens foram acasalados assim como os dois mais pequenos. Este processo foi sendo repetido por sete gerações, sendo sempre acasalados o maior dos maiores e o menor dos menores. Depois de sete gerações, os jovens dos pais grandes eram duas vezes maiores que o par original, enquanto os jovens dos pais pequenos eram menos da metade do tamanho original. Também se descobriu que os jovens eram estéril e as jovens não se podiam reproduzir.

Estes exemplos representam os extremos. A criação de animais é uma ferramenta e, como tal, pode ser usada para moldar e criar, mas, se for abusada, ela irá afastar-se e destruir o que se começou. Abordou-se o que é o in-breeding e os seus efeitos. Como usá-lo na prática? Quando o usar? Porquê usá-lo?

Os criadores mais recentes não devem usá-lo imediatamente. O que se deve fazer para começar é produzir espécimes com uma qualidade razoavelmente alta, como dito anteriormente, quando se começa a criar, não se está apenas a fixar pontos positivos, mas também a fixar pontos negativos, muito, muito fortes. O que se precisa de garantir quando se escolhe um pássaro o início do in-breeding, é que ele deve ser um espécimen de alta qualidade. Para começar, deve comprar espécimes de alta qualidade disponíveis para se cruzar com estas aves. A idéia aqui é descobrir quais os genes que estão disponíveis e dar-se as maiores hipóteses possíveis para se encontrar um pássaro adequado para um programa de reprodução in-breeding.

Como regra geral, ao avaliar se as suas próprias aves são ou não de qualidade suficientemente alta para usar num programa de reprodução in-breeding, compare-as com as aves disponíveis para você de fora do seu próprio aviário. Se forem iguais ou melhores do que os seus, então seus pássaros não são suficientemente superiores para valer a pena o uso de um programa in-breeding.

Quando seus pássaros têm a qualidade certa, e você não pode sair e comprar melhor, é hora de começar. Observe os seus pássaros com muito cuidado e escolha, por exemplos os cinco melhores machos e as 10 a 20 melhores fêmeas. O que se faz a seguir é elaborar um programa de criação usando os melhores machos com várias fêmeas para cada um, utilizando os restantes periquitos como pais adotivos. Então estará em condições de comparar os jovens desses poucos pássaros em particular, e é quando serão obtidos alguns resultados, o motivo é que as aves que foram cruzadas não são puras. Alguns pássaros produzirão crias de igual qualidade, enquanto outras crias não estarão perto da qualidade dos pais.

O que isso significa é que o número de genes pobres que este pássaro é portador é muito alto e, se voltar a reproduzir com ele, os genes pobres superariam os melhores, e as aves produzidas cairiam em qualidade com bastante rapidez. Será evidente que só ter boas aves não garantirá bons resultados de reprodução. O que você achou é que, de cinco machos, há apenas dois, que, com diferentes fêmeas, produzirão jovens de qualidade bastante alta. Então pode dizer a si próprio, aqui está a chave, estes são os pássaros com que posso começar o in-breeding.

Para se estabelecer um padrão de reprodução, você deve analisar essas aves com muito, muito cuidado. Se, por exemplo, um desses machos é um espécime muito bom, mas tem uma máscara e spots fracos, a única coisa que todas as suas fêmeas devem ter em comum na próxima temporada, é excelente máscara e spots, porque quando se cruzar este pássaro com as filhas a única coisa que se estabilizará é a máscara e os spots fracos. Você deve garantir que qualquer uma das crias a cruzar com o pai se destaque em qualquer um dos pontos onde ele exibe fraqueza. É aqui que se tem que ser muito crítico com o seu próprio plantel, e não apenas com os bons pontos. Você também deve ser capaz de definir uma falha particular, de modo que cada etapa, você está trabalhando para produzir uma ave superior em dois ou três anos.

Tendo decidido melhorar a máscara e os spots de um macho em particular, então acasá-lo-ia com as melhores fêmeas não relacionadas, com boas máscaras e spots, e então você cruza o melhor meio irmão com a melhor meia irmã, ou possivelmente uma das suas filhas com o pai. O que você está procurando, nos seus jovens, é o que é conhecido como crossover, onde a boa máscara e manchas, provenientes de ambos os lados, através das fêmeas, cruzou e combinou com os genes do macho para os fixar com todas as suas características desejáveis. Agora, o processo é repetido novamente. A nova melhoria do macho é novamente analisada, a falha mais proeminente identificada e ele será acasalado com um grupo de fêmeas não relacionadas, que mais uma vez, se destacaram nesta falta particular. Desta forma, obtém-se uma progressão constante, uma escalada constante, pratica-se a arte dos escultores, adicionando um pouco aqui e ali, tirando o que não se gosta. Você está no controlo do resultado final.

Deve-se sempre ter muito cuidado e como se podem ver essas características, têm de procurar qualquer fraqueza escondida na linha, como a infertilidade ou falhas ocultas, não visíveis no macho original, pois, como se reúnem em seus pontos positivos, também se reproduziram as más características que também foram reforçadas. É essencial, portanto, manter registros cuidadosos de todos os pássaros, com seus pontos fortes e fracos. Lembre-se sempre disso, como com qualquer forma de esforço, aquele que mais aproveita tira o máximo partido. Se você não está preparado para colocar o tempo necessário nesta forma de reprodução, não faça isso! Uma meia abordagem é um desastre a longo prazo.

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