Pedra Basilar do Hobbie – A Pressão

Autor: José Brázio

Publicação: 07-09-2017

No seguimento do último artigo publicado em 31 de agosto com o título “Morfologia: Verdades e Lendas” da autoria do amigo e juiz brasileiro Fulvio Lucietto, sobre a criação em cativeiro voltada para o melhoramento genético, julgo ser de real importância insistir neste tema em virtude de o julgar com pedra basilar do nosso hobbie.

Assim, qualquer criação com seleção genética exige que o criador seja rígido na seleção, pois é a maneira que ele tem de melhorar a qualidade do plantel. Aperto de seleção envolve muita análise, esforço e rigidez. É frequente ouvirmos citações como: “… apesar de não ser um bom periquito este é filho daquele macho e por isso fica no plantel”. Isso pode ter sucesso, porém as percentagens diminuem quando usamos periquitos que não estão dentro do padrão requerido. Assim sendo, devemos estar atentos aos fatores importantes que um determinado fenótipo nos apresenta, uma vez que, quando analisamos um pássaro, são vários os fatores a serem levados em conta, sendo isto que distingue um bom de um criador malsucedido.

Tipo, postura no poleiro, posição da cauda e asas, linha das costas, largura de ombros, implantação de cabeça (pescoço), posição de pernas e pés, formato da cabeça, largura da parte de trás da cabeça, profundidade da máscara, tamanho e posição dos “spots”, posição e tamanho do bico, tipo de penas, comprimento e direção das penas e balanço (vista global do periquito), são aspetos a ter em conta no processo de seleção. Lembre-se que não basta o periquito ser grande, ele tem que possuir harmonia.

Além de termos de observar constantemente estes fatores, não devemos nos esquecer de seguir um fator que também é de muita importância, a PREPOTÊNCIA, ou seja, a capacidade de um individuo tem em imprimir ou transmitir as suas qualidades aos seus descendentes. Isto também é muito importante na pressão da seleção. Claro que para conseguirmos esta prepotência, na minha maneira de ver, devemos utilizar a consanguinidade, e neste caso, os que me conhecem sabem que defendo e uso do inbreeding, que resumidamente consiste na introdução de um reprodutor de alto padrão para a formação de uma linhagem homogénea:

1ª Geração - acasalamento do reprodutor com 3 ou 4 fêmeas selecionadas no plantel;

2ª Geração - acasalamento do reprodutor com as 3 ou 4 melhores fêmeas, suas filhas (da primeira geração); acasalamento de meios-irmãos com meios-irmãos (tantos acasalamentos quanto possíveis); não acasalar irmãos próprios (filhos do mesmo pai e mãe); como resultado da 2ª geração já poderemos esperar 30% de crias com as mesmas características do reprodutor;

3ª Geração - o reprodutor será acasalado com as suas netas; os melhores filhos diretos do reprodutor, da geração anterior serão acasalados com os melhores filhos dos acasalamentos entre meios-irmãos; como resultado dessa geração teremos 50% das crias com as mesmas qualidades do reprodutor, ou mesmo superiores; sempre que um pássaro excecional venha a ser obtido, deve-se iniciar uma família a partir dele, pelo mesmo método; durante todo o processo de melhoramento devem ser estabelecidos e criteriosamente respeitados os critérios de seleção.

A cada criador caberá estabelecer os seus critérios de seleção. Por exemplo, as fêmeas que não criarem um mínimo de 2 filhos por temporada serão eliminadas da reprodução. Este é apenas um fator de exclusão e cada criador deverá estabelecer os seus critérios, que, e mais uma vez alerto, deverão ser rígidos. Isto porque acredito que seja a maneira mais consistente de fixar qualidades. Entretanto também vamos fixar defeitos. Aí entra a pressão da seleção. Portanto, o que deve ser procurado é a qualidade como um todo, e não um ou outro aspeto. É claro e saudável que cada criador tenha a sua marca impressa no plantel. Afinal de contas em tudo o que foi falado não podemos esquecer que o que determina o plantel é o olho do criador, e aí entra o aspeto individual de gosto.

Pressão de seleção é fundamental para conseguirmos uma evolução constante e não momentânea. É claro que como já escrevi, exige esforço, observação e rigidez, mas vale a pena.

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