Variedades raras – Asas de renda (Lacewing)

Autor: Ghalib Al Nasser

Publicação: 26-10-2017

Os criadores sempre tiveram um fascínio por pássaros com olhos vermelhos e os criadores de periquitos não são exceção.

Quando o primeiro Lutino, pássaro amarelo claro com olhos vermelhos, chegou a Inglaterra na década de 1870 causou sensação, embora esta linha não se tenha estabelecido. O criador da Grã-Bretanha, que criou a mutação Lutino inicial até ao final do século passado e inicio do presente século, foi C.P. Arthur. Mais uma vez, tal como a maioria das mutações, um acidente ou desvio genético foi responsável pela origem desta variedade. O Sr. Arthur recorda no seu livro "Budgerigars and Cockatiels" que colocou dois ovos cobertos de excremento do ninho em água a ferver para limpá-los e, apesar de não esperar que eles eclodissem, voltou a colocá-los no ninho. Ambos eclodiram e ambos eram amarelos com olhos vermelhos mas ainda assim a mutação não se estabeleceu. Mais experiencias com ovos mergulhados em água quente não alcançaram os resultados desejados em produzir qualquer Lutino. Atualmente há um grande interesse em todo o mundo em relação aos Lutinos e, em menor grau, aos Albinos.

Os periquitos asas de renda (ou Lacewing) são outra variedade com aparência semelhante ao Lutino e Albino, com um corpo de cor amarela (na série verde) ou branca (na série azul) e com os olhos vermelhos. O interesse nesta variedade é menor em comparação com as duas variedades de Ino mas, ainda assim, tem o seu interesse para muitos criadores, inclusive eu. Todas as variedades acima descritas provêm de um mesmo fator. Este fator tem o efeito de eliminar a melanina dos pigmentos negros das penas e dos olhos da ave e assim transformar um pássaro verde ou azul em amarelo ou branco, com os olhos vermelhos. A variedade Lacewing é similar na aparência ao Lutino e Albino e como eles tem uma cor de corpo claro, amarela ou branca. Mas a marcação nas bochechas, nuca, pescoço, asas e cauda apresentam um tom canela acastanhado. As machas gulares são de cor violeta pálida em vez do branco prateado da variedade Ino e eles apresentam spots na máscara bem definidos e em tom canela acastanhado. Esta variedade apresenta as patas em tons cor-de-rosa e os machos destacam-se pela cera cor-de-rosa. Os olhos são semelhantes aos periquitos com fator Ino, designadamente, vermelhos com um íris branca.

A variedade Asas de Renda tem vindo a ser criada desde 1948. Verificou-se que algumas fêmeas surgiram numa linha de Lutinos, provenientes de um macho Verde Claro de origem desconhecida e de uma fêmea Lutino. Há evidências que estes Lutinos mal marcados e os seus irmãos normais foram dispensados. Mais tarde, Cyril Rogers conseguiu obter um destes machos normais e após o acasalamento com fêmeas normais, a variedade Asas de Renda foi estabelecida. Alguns desses Asas de Renda foram exportados para várias partes do mundo, incluindo África do Sul onde a variedade foi consolidada. Cyril exibiu o primeiro Asas de Renda na exposição nacional (UK) de 1951 e, no final de 1968, a “Budgerigar Society” definiu o padrão da variedade. O interesse nesta variedade foi reavivado quando, no âmbito de uma visita para julgamento de aves, Alf Ormerod e Brian Byles trouxeram alguns exemplares desta variedade da África do Sul e criaram-nos com sucesso. A linha Sul-Africana parecia ter marcas mais profundas e definidas e, consequentemente, o interesse nestes periquitos cresceu.

Eu obtive o meu primeiro Asas de Renda em 1977, proveniente da linha Byles e fui razoavelmente bem-sucedido com esta variedade antes da minha primeira desistência da criação de pássaros em 1979, por 3 anos. Em 1983, obtive um par de qualidade proveniente de Alf Ormerod que me trouxe de volta aos Asas de Renda. A variedade é ligada ao sexo, tal como o fator Ino e portanto as fêmeas não podem ser portadoras de Asas de Renda enquanto os machos podem. As fêmeas, devido a teoria genética de herança recessiva ligada ao sexo, só podem ser Asas de Renda visuais ou normais.

Os possíveis cruzamentos nesta variedade quando utilizamos pares não portadores de Asas de Renda (designados por normais, por simplicidade) são:

Casal Expetativas de crias
1 Macho Asas de Renda x Fêmea Asas de Renda 50% Machos Asas de Renda
50% Fêmeas Asas de Renda
2 Macho Asas de Renda x Fêmea Normal 50% Machos Normal/Asas de Renda
50% Fêmeas Asas de Renda
3 Macho Normal x Fêmea Asas de Renda 50% Machos Normal/Asas de Renda
50% Fêmeas Normal
4 Macho Normal/Asas de Renda x Fêmeas Asas de Renda 25% Machos Asas de Renda
25% Machos Normal/Asas de Renda
25% Fêmeas Asas de Renda
25% Fêmeas Normal
5 Macho Normal/Asas de Renda x Fêmea Normal 25% Machos Normal
25% Machos Normal/Asas de Renda
25% Fêmeas Asas de Renda
25% Fêmeas Normal


Desta forma, podemos facilmente concluir qual o melhor cruzamento para produzir Lacewings em quantidade. No entanto, é igualmente importante criar a variedade tendo em consideração o tamanho, forma e aparência de um periquito de exposição de acordo com o estalão, combinado com um profundo contraste entre a cor do corpo e a definição e profundidade das marcações das asas. A combinação destes fatores não é fácil mas nada é impossível.

A parceria Amos & Thumwood alcançou um importante sucesso com um macho Asas de Renda da série verde há alguns anos atrás, quando ganhou melhor o prémio do melhor periquito da exposição (BIS) numa exposição do campeonato (UK). Tal com o fator Ino, a diluição da cor verde ou azul do corpo é uma falta indesejável. Uma forma de garantir que não ocorra esta diluição é o uso de aves com fator cinzento (cinzentos ou verdes cinzentos). No entanto, esta solução tem o efeito indesejável de escurecer a cor do corpo, se usada continuamente.

O objetivo é produzir Asas de Renda com uma cor amarela intensa e a utilização de aves com fator escuro como parceiros de criação irá conduzir a um longo caminho no sentido de alcançar esse objetivo. Outro fator a ter em consideração é obtenção de marcas profundas de cor canela acastanhada. Existem duas escolas de pensamentos sobre como atingir este objetivo.

Uma escola de pensamento incentiva a utilização de aves com fator canela como parceiros enquanto a outra incentiva o uso de periquitos normais. Pode-se dizer que o fator canela poderá diluir a cor do corpo, incluindo a marcação das asas. É bastante evidente que produzir um Asas de Renda de qualidade com a marcação correta não é tarefa fácil, e aqui reside o desafio.

A minha preferência é cruzar Asas de Renda com normais, sem a introdução de outras variedades na equação. De salientar que existem evidências científicas, através do trabalho do Dr. Trevor Daniel no início da década de 1980, afirmando que o Asas de Renda é na verdade um Ino canela. Ele tentou provar sua teoria através do cruzamento de um Ino com um Canela e do cruzamento entre os seus descendentes, resultando na produção eventual de Asas de Renda. Esta situação resulta da sobreposição de gene, na medida em que o gene canela e o gene Ino estão localizados muito próximos um do outro no cromossoma. No entanto, muitos entusiastas dos Asas de Renda têm discordado desta teoria, acreditando que o Asas de Renda é uma mutação única. Independentemente de qual a teoria que cada um considera o Asas de Renda é uma variedade que tem seu próprio lugar numa exposição.

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