A mutação Face Negra

Autor: José Paulo Correia

Publicação: 21-09-2017

A variedade Face Negra é das variedades mais recentes dos Periquitos Ondulados, tendo aparecido na Holanda em 1992, embora tenha sido muito pouco divulgada. É uma variedade sem standard e, como consequência, sem classes de exposição.

A variedade caracteriza-se pelo preenchimento da fronte e alto da cabeça que são de cor amarela ou branca nas restantes variedades, por riscas pretas e amarelas ou pretas e brancas até à cera, em continuação das mesmas ricas existentes no pescoço e nuca. A máscara que é amarela ou brancas nas outras variedades é totalmente preenchida com penas pretas ligeiramente orladas por amarelo ou branco, ficando a ave com a máscara preta. O desenho das costas e asas é semelhante às outras variedades. Quanto ao corpo as suas penas têm riscas pretas e com a cor do corpo, dando a sensação da continuação da ondulação existente nas costas.

Segundo o relato de Didier Mervilde, o Sr. D. J. Van Dijk encontrou dois machos azuis face negra numa loja. Comprou-os e acasalou-os com duas fêmeas normais cinzentas. Desses casais obteve crias normais azuis e cinzentas. No ano seguinte cruzou as fêmeas obtidas através desses casais com os progenitores, obtendo, num desses casais, aves de face negra. Os resultados obtidos através destes acasalamentos permitem-nos concluir que o Face Negra é uma variedade recessiva.

Face Negra Verde Canela

No Campeonato Mundial da COM de 2015 que decorreu na Holanda este criador expôs duas aves desta variedade. Se uma delas não deixou fotografar, a fêmea cinzenta permitiu que lhe tirasse algumas fotografias. As aves foram inscritas na secção I2 correspondente aos Periquitos de Cor, tendo sido penalizadas pelo tamanho excessivo relativamente ao standard daquela secção. São aves muito pequenas e muito longe do standard dos Periquitos de Forma e Posição.

Como se pode ver na primeira foto, as riscas existentes nas costas da ave estendem-se até à cera. Se nalgumas crias de periquitos de forma e posição as riscas se prolongam até à cera, depois da primeira muda as penas da fronte ficam amarelas ou brancas, nestas aves essas riscas mantêm-se na idade adulta como se pode verificar pela foto onde se pode ver a íris branca do olho e a cera castanha, características de uma fêmea adulta.

Já que este criador holandês se recusa a ceder aves desta variedade a outros criadores, a sua evolução e continuidade encontram-se comprometidas. Assim, para além de existirem poucos exemplares e de não estar assegurada a continuidade da variedade, as aves estão muito aquém do standard do periquito de forma e posição. É tudo o que não se deve fazer para a preservação das variedades e para a evolução destas aves.

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