Os julgamentos dos Periquitos Ondulados

Artigo escrito tendo com base um workshop realizado em 2015 sobre os julgamentos dos Periquitos ondulados.

Autor: José Paulo Correia

Publicação: 09-08-2017

Este artigo foi escrito tendo como base um workshop sobre Periquitos Ondulados realizado em 21 de junho de 2015 em que fui orador sobre este tema. Este artigo é apenas sobre os julgamentos e seus critérios. A parte sobre as classes e seus critérios, bem como os principais erros nas inscrições das aves por parte dos criadores foi feita noutro artigo já publicado.

Os critérios e o modo como foram feitas as classes de Periquitos Ondulados do CTJ/FOP e respetivos standards, nos quais participei ativamente juntamente com o Presidente da secção Armando Cerezo, foram discutidos naquele workshop.

Os standards

Os julgamentos são feitos como comparação entre a ave que se apresenta a julgamento com o standard. O standard é a combinação entre a forma e posições ideais da ave e as definições para as variedades que a ave possui. Em relação à forma e posição das aves, existe o standard do Periquito de forma e posição e o standard do Periquito de cor.

Standard do Periquito de Forma e Posição da WBO e também adotado pela COM

Standard do Periquito de Cor adotados pela WBO e COM

Algumas anomalias mais frequentes nos Periquitos de Forma e Posição

Se os Periquitos de Forma e Posição se caracterizam pela forma e posição que foram adquirindo ao longo dos anos, produto do trabalho de muitos criadores, não se podem esquecer os outros itens que compõem o julgamento destas aves. Reconheço que nem sempre foram tidos em conta pelos criadores em geral nem pelos juízes ao longo da evolução, alguns itens importantes, levando a alguns erros na seleção das aves, fazendo com que a sua qualidade não fosse tão boa quanto o desejado de uma forma global.

A prova de que se olhou demasiado para o tamanho e forma, é a existência de poucas variedades nesta secção, sendo difícil encontrar muitas das variedades existentes, predominando as variedades dominantes, algumas ligadas ao sexo e apenas uma recessiva, o Azul.

Outra consequência é a existência de bastantes defeitos, alguns muito associados a determinadas variedades, provando que não foi feito nenhum esforço relevante para remover estes defeitos nalgumas variedades. Um desses defeitos são as aves com cabeça suja ou fleck na maioria dos plantéis, tendo sido tolerada demasiado tempo nas exposições. Outra consequência é a proliferação de algumas variedades com defeitos, sendo difícil encontrar aves próximas do standard onde se destacam os Opalinos onde o «V» do manto não existe e onde proliferam manchas escuras em vez da cor do corpo. Nos Perolados de fator simples as marcações ou não existem ou são substituídas pela cor do corpo, deixando de ser ver as pérolas e nos Normais a existência de opalinescência é preocupante.

É muitas vezes difícil atribuir prémios nas variedades Opalino ou Perolado nas nossas exposições na secção de Periquitos de Forma e Posição. Os criadores quando adquirem aves ou quando as selecionam ainda não conseguem apreender que devem evitar este tipo de defeitos mesmo que a ave seja boa no tamanho, forma ou posição. Como consequência disso, não entendem as classificações dadas pelos juízes porque procuram julgar as aves de acordo com todos os parâmetros.

Algumas anomalias mais frequentes nos Periquitos de Cor

Se nos Periquitos de Forma e Posição é difícil encontrar aves de muitas das variedades existentes, isso já não acontece tanto com os Periquitos de Cor. Se por um lado é uma desvantagem, por outro favorece a tendência para misturar tudo a ponto de não saber as variedades que estão numa determinada ave.

Não se olha aos standards porque se desconhecem ou porque se acha o máximo a confusão de cores e variedades e a médio prazo perdem-se as características principais de cada variedade. As misturas de variedades leva a que as exposições sejam preenchidas com as variedades mais comuns e que as classes com as variedades mais raras não sejam preenchidas e que continuem a ser cada vez mais raras porque a mistura de algumas variedades não é permitida por desvirtualizar algumas dessas variedades.

As fichas de julgamento

Os julgamentos podem ser feitos por atribuição de pontuação em cada uma das rubricas para cada tipo de ave ou por comparação.

Na forma e posição

Em qualquer das opções, o juiz deve ter sempre em linha de conta as rubricas de julgamento, pois é o seu conjunto que torna a ave harmoniosa e mais próxima do standard ou perfeição.

Nos Periquitos de Forma e Posição são usados os seguintes itens:

- Tamanho, forma, condição e harmonia (35 pontos);

- Tamanho e forma da cabeça (20 pontos);

- Plumagem e colocação das asas (15 pontos);

- Cor (10 pontos);

- Máscara e pérolas (10 pontos);

- Desenho (10 pontos).

Nas aves das variedades Ino, Perolado de duplo fator ou Claros de olhos negros as duas últimas rubricas não são aplicadas e os pontos acumulados na rubrica de Cor.

Na cor

Nos Periquitos de Cor são usados os seguintes itens:

- Condição geral (10 pontos);

- Tamanho, forma e harmonia (20 pontos);

- Plumagem (20 pontos);

- Cor (25 pontos);

- Máscara e pérolas (10 pontos);

- Desenho (15 pontos).

Nas aves das variedades Ino, Perolado de duplo fator ou Claros de olhos negros as duas últimas rubricas não são aplicadas e os pontos acumulados na rubrica de Cor.

As rubricas de julgamento

As rubricas são muito semelhantes nos dois standards.

No caso dos Periquitos de Cor, a rubrica Tamanho e forma da cabeça não existe porque esta rubrica é resultante da evolução da ave, evolução essa que não existe no standard da Cor. Para compensar a não existência daquela rubrica, e como consequência da não existência da importância fulcral da cabeça neste standard, a rubrica Tamanho, forma, condição e harmonia, é desdobrada numa rubrica de Condição geral e outra Tamanho, forma e harmonia, tendo as duas juntas um peso menor. O total das rubricas de Plumagem, Desenho e Cor tem um peso maior no standard do Periquito de Cor.

A condição

A condição é essencial para a apresentação de uma ave a concurso. Se não está em condição deve ser penalizada. A ave deve apresentar-se com a plumagem completa, indicando que goza de boa saúde e que está bem preparada para a competição e bem adaptada à gaiola de exposição.

Para essa adaptação é necessária preparação prévia às gaiolas de exposição.

As penalizações mais graves num julgamento originam o não julgamento da ave e têm como origem a falta de condição são:

- Sintoma de doença (a sarna é a doença mais comum);

- Ferimentos;

- Defeito anatómico (cegueira total ou parcial, deformação no bico ou esqueleto, asas irregulares que afetem um voo normal e falta, deformação ou rigidez nos dedos ou unhas;

- Aves com sangue;

- Dificuldade de permanência ou de equilíbrio no poleiro, refugiando-se no fundo da gaiola movimentando-se descontroladamente, inviabilizando a sua correta apreciação;

- Flagrante muda da pena ou deformação congénita da plumagem;

- Evidente falta de rémiges ou retrizes, ou com estas em declarada fase de crescimento (canudos);

- Aves com rémiges ou retrizes excessivamente longas ou com mais de 7 rémiges em cada asa;

- Aves com falta das duas retrizes principais;

- Pigmentação artificial;

- Qualquer tipo de quisto.

Se for observado qualquer falta contida nestes itens, a ave não é julgada, colocando-se a mensagem «Não julgável» na ficha de julgamento. Também não é julgável toda a ave que não possua anilha.

Os periquitos deverão apresentar-se a concurso com a forma e posição indicada nos respetivos standards, sendo a posição no poleiro das aves de porte e posição mais vertical do que nos periquitos de cor. As aves demasiado pequenas nos Periquitos de Forma e Posição deverão ser penalizadas, bem como os Periquitos de Cor que excedam os 17/18 cm. Nestas aves, as pérolas em demasia ou demasiado grandes evidenciam um excesso de tamanho.

A ave da esquerda apresenta demasiadas pérolas e a ave do meio uma pérola muito grande. A ave da direita apresenta uma largura de uma ave com excesso de tamanho. O excesso de tamanho é penalizado nesta rubrica nos Periquitos de Cor.

São também penalizados nesta rubrica, em ambos os standards, aves que tenham:

- Excesso de peso (gordura em excesso);

- Externo saliente (magreza excessiva);

- Cauda tombada;

- Asas caídas.

Tamanho e forma da cabeça

Nos Periquitos de forma e posição o tamanho e forma da cabeça têm um peso preponderante na avaliação da ave, valendo 20% da pontuação total da ave.

A cabeça deve ser larga e a orientação das apenas a indicada com as setas verdes. As penas por cima da cera descem para os lados e voltam a subir fazendo o desenho dos cornos do búfalo, o chamado efeito búfalo.


A primeira ave tem uma cabeça com um direcionamento de penas desejável, muito próximo do standard. A segunda tem a cabeça demasiado estreita e a terceira um direcionamento de penas para cima, também chamada a cabeça de funil. Por muito grandes que sejam as cabeças, apenas a cabeça da primeira foto se aproxima do standard.


Vista por trás, a cabeça deve ter o formato da figura A, sendo muito estreita a da figura B e com o pescoço visível na C. É também um fator muito importante a ter em conta e para os quais os criadores devem estar atentos.


Esta foto de uma cria ainda no ninho vista por trás mostra uma ave harmoniosa com ombros largos sem estreitamentos no pescoço.

Plumagem e colocação das asas

A plumagem de ser compacta, aderente ao corpo e desenvolvida. As penas devem estar perfeitamente sobrepostas como as escamas dos peixes. As asas devem estar bem juntas ao corpo e as pontas devem-se juntar mas sem se cruzarem. Cada asa deve ter sete rémiges bem desenvolvidas e inteiras.

Serão penalizadas nesta rubricas as aves que apresentem os seguintes defeitos:

- Plumagem incompleta (muda notoriamente incompleta);

- Falta de uma ou duas rémiges;

- Falta de uma retriz primária.

Outras faltas e defeitos penalizados pelos juízes relativos à cor

- Manchas ou diluição da cor do corpo abaixo do nível da descrição dos standards das cores, qualquer diluição ou outra cor que não as descritas nos standards deverão ser penalizadas;

- Nos Ino, a existência de cor violeta pálida nas manchas da face, pérolas canela, desenho nas costas asas ou cauda, bem como a intrusão de verde nos Lutinos ou azul e cinzento nos Albinos;

- Nos Canela (Normal ou Opalino) e Asas Cinzentas (Normal ou Opalino), a diluição da cor do corpo em mais de 50%;

- Nos Asas Claras, a diluição da cor do corpo em mais de 90%, manchas da face violeta, azul ou cinzento pálidos, presença de azul ou cinzento nas retrizes principais;

- Nos Perolados de duplo fator, a existência de penas verdes, azuis ou cinzento;

- Nos Amarelos e Brancos de olhos negros, penas esverdeadas, azuladas ou acinzentadas no corpo;

- Nos Asas de Renda, penas no corpo esverdeadas, azuladas ou acinzentadas;

- Cor das manchas da face e/ou pérolas não conforme o standard da variedade;

- Eventuais diferenças nas cores das patas e unhas em relação ao standard da variedade;

- Na coloração do corpo, eventuais sufusões de amarelo sobre o verde e de branco sobre o azul;

- Rémiges e/ou retrizes de cores diferentes do standard da variedade.

Faltas e defeitos penalizados pelos juízes relativos à máscara e pérolas

Nos periquitos de forma e posição a máscara deve ser profunda e limpa, sendo penalizadas as máscaras curtas. A máscara deve ser limpa nos dois standards.

Nas duas secções, as pérolas devem ser redondas e uniformes e igualmente espaçadas umas das outras, estando as mais extremas parcialmente cobertas pelas manchas gulares. Não devem ser menos ou mais que as permitidas no standard de cada variedade.

Nos Periquitos de cor a existência de mais do que 6 pérolas ou pérolas grandes, é sinónimo de aves maiores que o standard, ou seja que já sofreram uma evolução em relação ao periquito ancestral.

Faltas e defeitos penalizados pelos juízes relativos ao desenho


A cabeça suja ou fleck é um dos problemas mais graves e comuns nos Periquitos de forma e posição e que quebra a regra de que a fronte deve ser clara e isenta de quaisquer marcas.


O efeito opalino numa ave normal ou opalinescência é também uma característica com algumas ocorrências nas nossas exposições. Caracteriza-se pela diminuição da altura das listas na nuca e à volta dos olhos com substituição do amarelo e do branco pela cor do corpo. A substituição do amarelo e do branco pela cor do corpo estende-se, por vezes, às asas da ave.

Penalizações:

- Ausência de uma ou das duas manchas gulares da face;

- Nos Opalinos, vestígios de melanina na fronte (fleck) e/ou sobre o «V» das costas, ausência da cor do corpo nas asas ou variação de cor na cauda;

- Nos Perolados de fator simples, a existência de penas pretas nas asas;

- Nos Arlequins Dominante, ausência de simetria nas marcas e/ou da banda ou asas completamente claras;

- Nos Arlequins Recessivos, a presença de desenho escuro em menos de 10% ou mais de 20% nas asas;

- Arlequins com olhos diferentes deverão ser julgados como Arlequins Dominantes e penalizados como tal;

- Nos Fulvos, a ausência de cor corpo;

- Nos Asas de Renda, desenho incompleto do padrão Normal ou Opalino;

- Nos Corpos Claros do Texas, qualquer cor escura nas rémiges ou qualquer diluição nas manchas da face, marcas das asas, nuca ou cauda;

- Nas variedades de poupa, poupas circulares, semicirculares ou tufos, a poupa ser incompleta ou com penas estragadas, bem como outros defeitos das variedades que apresentem;

- Ondulações confusas ou irregulares.

Os Arlequins dominantes são aves problemáticas quanto ao desenho, já que as manchas claras são impossíveis de fixar. Por vezes as manchas claras, para além de poderem exceder a percentagem máxima permitida, aparecem em zonas que prejudicam o desenho da ave. Um dos locais mais complicados onde aparecem as manchas claras é a máscara, fazendo que a ave tenha menos pérolas que as exigidas pelo standard como se mostra na foto. A localização das manchas claras não é transmissível para as crias. É comum aves com falta de pérolas por localização das manchas claras na máscara tenham crias com máscaras normais ou aves com uma grande proporção de partes claras terem crias praticamente sem partes claras.

No entanto a produção de arlequins dominantes de duplo fator faz com que as marcas desapareçam em quase 90% do corpo, tornando essas aves completamente fora do standard e fortemente penalizadas em exposições. Cruzadas com aves normais poderão voltar a ter crias dentro do standard do arlequim dominante, já que serão todas aves de fator simples.

Critérios de desqualificação

A desqualificação é uma penalização atribuída ao criador motivada por fraude. A desqualificação de uma ave implica o mesmo procedimento para todas as aves do mesmo criador nessa exposição. Implica um processo disciplinar ao criador.

São exemplos:

- Qualquer marca na ave ou na gaiola tendente a permitir identificar o criador;

- Mais do que uma anilha na mesma ave;

- Anilha irregular (não oficial, aberta, de diâmetro inadequado ou deformada, com caracteres ilegíveis, de outro criador ou fora do ano previsto);

- Arranjos artificiais (penas deliberadamente cortadas ou aparadas, arrancadas, coladas, pintadas ou outras).

Nota: não se considera fraude o arranjo da máscara.

Este site utiliza cookies com objetivo de melhorar a sua utilização. Ao navegar no site está a consentir a sua utilização.