As classes de exposições dos Periquitos Ondulados

Artigo escrito tendo com base um workshop realizado em 2015 sobre as classes dos Periquitos Ondulados.

Autor: José Paulo Correia

Publicação: 02-08-2017

Introdução

Este artigo foi escrito tendo como base um workshop sobre Periquitos Ondulados realizado em 21 de junho de 2015 em que fui orador sobre este tema. Este artigo é apenas sobre as classes e os problemas que os juízes encontram nos julgamentos ao depararem-se com aves mal inscritas. A parte sobre os julgamentos será feita num outro artigo.

Os critérios sobre as classes que se falam neste artigo são sobre o modo como foram feitas as classes de Periquitos Ondulados do CTJ/FOP à altura deste workshop e respetivos standards nos quais participei ativamente juntamente com o Presidente da secção, Armando Cerezo.

As classes dos Periquitos Ondulados

A lógica na construção das classes

Em primeiro lugar existem duas secções de Periquitos Ondulados. A secção I1 chama-se Periquitos de Forma e Posição. Nesta secção dá-se importância à evolução da ave ao longo dos tempos em que foi criada em cativeiro, em forma e posição. Como as cabeças das fêmeas são ligeiramente mais pequenas do que as dos machos, optámos por separar os machos das fêmeas nas classes nesta secção. Esta separação existe na WBO, não tendo sido adotada pela COM. A secção I2 chama-se Periquitos de Cor. Nesta secção dá-se importância às variedades e onde a forma e posição deve ser a do periquito ondulado selvagem. Enquanto na secção anterior o standard está relacionado com a evolução no tamanho e forma da ave, nesta secção o standard em termos de forma e tamanho é o do Periquito Ondulado selvagem ou ancestral. Nesta secção, como os machos e fêmeas são iguais, não há separação por sexo nas classes a que correspondem.

Como a ave é a mesma, e consequentemente as variedades também, as classes são iguais nas duas secções, com exceção na separação por sexo nas classes pertencentes à secção I1. Na WBO, apesar de terem um standard para os Periquitos de Cor, estes não se expõem habitualmente. Na COM, onde estas aves são expostas, os critérios para a elaboração das classes são distintos das classes da secção I1. Na minha opinião não faz sentido haver diferentes critérios e menos classes na secção dedicada à cor do que na dedicada ao porte quando os únicos critérios são as variedades. Sendo assim, optou-se pelo critério usado pela COM para as classes dos Periquitos de Forma e Posição, aplicando-o às duas secções.

Os critérios usados

Em todas as classes, com exceção das classes das variedades de poupa, as classes são divididas pelas linhas principais de Periquitos: o verde e o azul. As aves podem concorrer individualmente ou em equipas de quatro aves.

Nas primeiras classes são incluídas as variedades mais comuns e suas combinações de forma mais detalhada. Foram consideradas as variedades mais comuns, o Normal, o Verde, o Azul, o Opalino, o Cinzento, o Canela, o Fator Escuro e o Violeta. Nestas variedades só se tem em conta o fator Violeta aliado ao fator a azul e ao fator escuro com um fator, ou seja ao Azul Cobalto Violeta. Na combinação dos fatores cinzento e fator escuro, as classes são as mesmas, ou seja, a classe é a mesma se a ave tiver fator cinzento sem fator escuro, com um fator ou dois fatores escuros.

As classes seguintes são relacionadas com as cores não incluídas nas classes anteriores: o Ardósia, o Antracite e os Face Amarela. Todas estas variedades só possuem standard na linha azul e incluem as combinações com as variedades indicadas nas classes anteriores.

As restantes classes são para as variedades principais não incluídas nas anteriores e possíveis combinações com algumas ou todas as variedades das classes anteriores. Essas variedades não se podem combinar entre si. Por exemplo, nestas variedades estão incluídas as variedades Arlequim Dominante e Perolado. Estas variedades podem ser combinadas com as das classes anteriores mas não podem ser combinadas entre si. Nestas classes são indicadas as combinações de variedades permitidas de modo a manter as características das respetivas variedades. São exemplos disto a combinação de Lutino com Arlequins originando aves com rémiges amarelas onde no standard do Lutino está escrito que devem ser brancas. São permitidas todas as combinações de variedades relativas a cores nestas classes, ou seja com ou sem Fator Escuro, Cinzento, Violeta, Antracite ou Ardósia.

Este ano a COM vai rever os standards e seria uma boa altura para se colocarem estes critérios em cima da mesa para discutir para uma uniformização racional das classes.

A Psitapor

Em Portugal realiza-se a Psitapor que não é julgada pelas regras da COM mas onde foi adotado este critério para a definição das secções e classes do certame. Em todas as secções as aves podem concorrer individualmente, não havendo equipas de quatro aves. Este ano, a nível de experiencia e de acordo o que se faz noutras exposições de periquitos, vamos ter algumas classes de pares onde podem ser inscritas aves que formem um casal igual.

As classes da Secção de Periquitos de Cor mantem-se igual à usada pela FOP, com exceção das equipas, e a secção chama-se I4.

Nos Periquitos de Forma e Posição, à semelhança do que se faz em exposições dedicadas as estas aves, existe uma secção para os periquitos adultos (secção I1), para periquitos jovens ou do ano com plumagem completa (secção I2) e outra para os periquitos bebés até aos 3/4 meses (secção I3).

Nesta ligação têm acesso às classes da Psitapor 2016 onde poderão ver como estão formadas as classes e são bem explicitas quanto às variedades incluídas em cada uma.

A identificação das variedades e os erros mais comuns dos expositores

Uma das falhas mais notadas nas exposições é a dificuldade que alguns criadores distinguirem entre as variedades de Fator Escuro e Cinzento. É uma dificuldade que se prende com a falta de conhecimento do standard. No standard das variedades cinzentas está indicado que as patilhas são cinzentas e que nas outras elas são violeta. Do mesmo modo, as rémiges e cauda são pretas nos periquitos cinzentos enquanto que nos azuis e verdes elas são azuis escuras. Na foto anterior pode-se verificar que as patilhas de todas as aves apresentadas são azuis, enquanto que nas aves verdes cinzentas e cinzentas elas são cinzentas.

Outra falha muito comum é a não diferenciação entre arlequins dominantes e arlequins recessivos. Esta dificuldade é acrescida quando se comparam arlequins dominantes de fator duplo com recessivos. Nos arlequins dominantes de duplo fator as marcações são escassas e são facilmente confundidos com eventuais arlequins recessivos com poucas marcações. Nas aves adultas, os arlequins dominantes tem a iris branca nos olhos enquanto que isso não acontece nos recessivos. Por outro lado, a cera dos machos adultos é arroxeada nos recessivos e azul nos dominantes. Outro modo de diferenciação é a existência de penas com diluição da melanina no caso dos recessivos. É difícil encontrar arlequins recessivos sem penas com um degradé nas penas pretas e será impossível encontra-las num arlequim dominante. No mundial de 2016 em Portugal estavam vários arlequins dominantes inscritos como recessivos e que eram dominantes. Eram aves jovens, sem iris branca nos olhos e com a cor da cera pouco definida por ser jovem. Foram todos colocados fora de classe. Não compreendo como um criador que vai expor num mundial comete uma falha deste tipo, não distinguindo as variedades e teoricamente conhecendo os pais destas aves. Esta falha está mais relacionada com a falta de conhecimento da variedade ou da falta de registos no plantel, já que o modo de reprodução é completamente diferente. Nas fotos apresentadas em cima, trata-se de três periquitos arlequins recessivos, encontrando-se em todos, penas as asas com diminuição de melanina.

Outra falha muito comum é a dificuldade na diferenciação entre diluídos, asas claras e asas cinzentas. Nos diluídos, a diluição é feita uniformemente no corpo e nas costas. Nos asas claras existe uma grande diluição nas costas e uma diluição na cor do corpo que não pode atingir mais de 10%. Nos asas cinzentas as costas são cinzentas e a cor do corpo não pode ser diluída em mais do que 50% do que nas cores normais. Nos asas cinzentas em corpo de cor viva, resultantes da combinação entre asas claras e asas cinzentas, a cor do corpo não sofre diluição em relação às cores normais, enquanto as marcações são cinzentas mais escuras. Por outro lado, as patilhas dos asas claras não sofrem qualquer diluição, enquanto nos asas cinzentas e diluídos as patilhas sofrem de uma diluição de cerca de 50%. Nas imagens anteriores temos, pela mesma ordem das fotos, um diluído, um asas claras e um asas cinzentas.

Espero com este artigo ter dado uma contribuição para a compreensão das classes de Periquitos e para um maior esclarecimento das dúvidas relativamente à inscrição das aves em exposições, agora que se aproxima a época de exposições.

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